quinta-feira, 13 de março de 2014

Sobre as minhas escolhas.

Encontrei esse texto hoje nos milhões de grupos do facebook e fiquei muito feliz de saber que eu não sou a unica pessoa que pensa assim.
Tô muitíssimo assustada com esse monte de texto no estilo “não julguemos as mães”, “culpa materna zero”, “vamos nos abraçar, mãezinhas”, “não sou menas (sic) mãe porque ...”, “cada um faz o que acha melhor”. Por que isso, gente? Curiosamente, todos esses textos vêm de pessoas que fazem escolhas duvidosas no exercício de sua maternidade. O que esse pessoal quer? Licença pra fazer a merda que desejar? Desculpem-me os mais politicamente corretos, mas existem, sim, mães melhores e mães piores. Durmam com essa. Se A se sente ofendidíssma quando vê B falando sobre suas escolhas conscientes, provavelmente há algo errado com as escolhas de A. E ela sabe disso. Tanto sabe que se sente ofendida. Porque B, mesmo sem querer, colocou o dedo em sua ferida. Ao invés de tentar legitimar escolhas erradas (sim, existem escolhas erradas e certas), por que não se abrem para a reflexão? Desculpe-me, mas eu não vou abraçar a mãezinha que tá dando Coca-Cola na mamadeira. No máximo, podemos conversar sobre escolhas e trocar informações. Não há nenhuma guerra entre mães. Há escolhas. Essas escolhas são individuais, refletem a realidade de cada mãe, mas determinadas escolhas nunca estarão certas. Nunca!
 Ja entrei em muitas discussões por que fulana diz que da chá pro bebe de um mês por que a vó dava pra ela e ela ta viva. Ja fui xingada de tantas coisas que eu nem lembro. Ja questionaram minha profissão por eu falar que estudo pra saber o que é melhor pra minha filha (troféu de ignorância máxima pra essa dai!). Não sou perfeita, ninguém é. Mas eu sei aonde e o que eu erro. E erras conscientemente é a melhor forma de errar.

O que mais me irrita é o fato de que essas mulheres que se escondem atras do mantra "cada mãe sabe o que é melhor pro seu filho" tem acesso às mesmas pesquisas que eu, às mesmas informações. E mesmo assim elas acham que um tapa ensina, que danoninho é alimento pra bebes, que chás e mucilon ajudam eles a dormir melhor, e que "um docinho não mata". Julia já comeu porcarias, lógico. Mas nunca vou me parabenizar por isso. Muito menos transformar esses episódios, que são raros, em algo frequente e que faça parte da vida dela.

Ja ouvi que a Julia passa fome, que eu não dou essas coisas pra ela por preguiça (oi?), que ela precisa comer doces e afins. Ja ouvi que "dar essas coisas não mata, olha meus filhos, todos vivos". Colesterol, câncer, diabetes, obesidade, anemia, esses eu sei que eles tem. Não quero isso pra ela, obrigada!

Alem disso Juju ama uma comidinha saudável. O que a gente mais vê por ai é criança que não quer comer. Mas na primeira birra a mãe entope a criança de batata frita, chocolate, bolo, bolacha. E ainda quer que ela coma frutas e verduras depois.

Mudei minha alimentação, meus hábitos, meus gostos por ela. Mudei meu horário de trabalho,  comecei a fazer exercícios físicos, abri mão de um tempo muito meu por e para ela. Se eu me arrependo? De NADA. Não deixo de ver meus amigos, eles entendem que eu tenho a Juju. Nunca conseguiria dormir tranquila sabendo que eu estou errando na criação dela. Ela só vai ser um bebe uma vez na vida, e eu quero muito estar do lado dela pra curtir essas fases tão deliciosas.

E sendo mãe, eu julgo sim. Não consigo ler sobre mães desmamando bebes de 2, 3 meses por capricho. Não consigo entender como alguém que passa 9 meses gestando um ser humaninho (que no meu caso é a coisa mais perfeita desse mundo. HÁ!) e não querer o melhor pra ele. Se alguém apontar o dedo pra mim falando "tu ta errando dando chupeta pra ela" eu vou concordar. Eu sei que é errado tanto que quando ela ta comigo, eu não dou chupeta. Mas infelizmente ela pegou, e agora estamos escravas disso. A mesma coisa com o bico da mamadeira. Sei que pode atrapalhar a amamentação, corri o risco do desmame, mas não vou falar que "tudo bem fazer isso por que eu fiz". Faça o que eu digo e não o que eu faço ;)


Um comentário:

  1. Eu acho que tem muito mais que isso. Acho que sim a maternidade precisa parar de ser uma disputa entre as mães melhores e piores. Se existem escolhas erradas? Sim! Ninguém aqui vai aplaudir uma mãe que deixa o bebê chorar para ensinar ou desmama aos 2,3 meses.
    Mas tu já não conhece alguém que fez isso? É essa pessoa é de todo ruim?
    E tu deixa então livre pra alguém te julgar sobre a Ju chupar chupeta? Mesmo tu sabendo que não é legal, mesmo tu sendo contra?
    Eu odeio ser julgada, julgo sim. Mas me cuido ao máximo pra saber que eu não tô no coro daquela pessoa, eu não sei como é a vida dela.
    Todo mundo me fala que se eu desmamasse o Davi tudo bem, que elas nem sabem se conseguiriam chegar tão longe. Sabe o que eu penso? Eu consigo fazer isso então se eu parar de fazer eu to sendo uma M de uma mãe. É a mesma coisa do sentido contrário. Eu to na minha pele então eu sei que é difícil mas eu consigo.
    Mas será que todas conseguiriam? E se eu consigo, é obrigação de todas conseguirem...
    É tudo muito complexo, eu não me vejo nem num lado nem no outro.
    Jamais eu vou achar que tudo bem deixar um bebê chorar, ou dar coca, chá na mamadeira tudo bem, vamos nos abraçar e isso é uma escolha dela, ela que sabe .
    Mas eu também não me acho no direito de me achar melhor que tu e te julgar por exemplo porque o Davi fica comigo em casa ou porque ele nunca provou açucar. Sacou ?
    Te amo, te admiro e adoro crescer contigo mesmo sendo de longe.

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