quarta-feira, 7 de agosto de 2013

SMAM 2013 - Relato de Amamentação

E hoje é o ultimo dia oficial do #SMAM2013 e pra fechar segue o relato, com todos os altos e baixos, dessa parte tão gostosa da nossa história.

"Ju nasceu de cesárea, totalmente desnecessária, no dia 12 de novembro, ás 14:35. Saímos do centro cirúrgico pra sala de recuperação mais ou menos meia hora depois. E foi la nosso primeiro contato nutricional. Eu estava sozinha, deitada, sem poder me mexer. Ela era tão pequenininha e tão molinha... E eu, que não tinha contato com um recém nascido a uns 10 anos, tive que ensinar algo que nem eu mesma sabia. A unica coisa que vinha na minha cabeça naquele momento, era que ela precisava se alimentar, eu precisava que ela se alimentasse, e nós duas precisávamos aprender juntas.

E assim foi, na hora que ficamos la, ficamos conectadas, eu tentando, lembrando de tantos textos sobre amamentação, vendo aquela boquinha minuscula sugar e sugar. A enfermeira vinha a cada 15 minutos, mais ou menos ver se estava tudo bem. Lembro dela falar que a pega estava correta, mas que eu não precisava me preocupar que o bebe vinha com 12 horas de reserva.

Assim que chegamos no quarto, minha família estava la, esperando pra conhecer ela. Eu não podia falar nem levantar a cabeça por causa da anestesia. A morfina começou a fazer efeito, eu me coçava inteira e fiquei com fotossensibilidade. Tem uma foto minha amamentando, com óculos escuro, ainda enrolada no pano da cirurgia.

Nos dois dias que passamos na maternidade, todas as enfermeiras elogiavam a pega, Ju dormia muito pouco, passava mais tempo no peito do que fora dele, o que me rendeu uma dor no braço insuportável. Lembrei da almofada de amamentação e ali começou nossa história de amor.

Na ultima noite na maternidade, Ju ficou no peito das 10 da noite ás 5 da manha. Todos os bebes da enfermaria choravam desesperados, e ela não fez um barulho. Dormiu das 5 ás 9, o que me deixou preocupada. "Mas a enfermeira mandou ela mamar de 3 em 3 horas!", eu disse pra minha mãe. E ela me respondeu com o conselho que eu sigo até hoje "Não se acorda bebe saudável pra comer, a hora que ela tiver fome, ela vai acordar".

Assim que ela acordou e foi pro peito, senti uma dor horrível, uma queimação. E foi piorando cada vez mais. No final da manha eu já chorava cada vez que ela pegava no peito, sentia sangrar, queimar, até minhas costas doíam. Lembro de pedir pra alguém comprar as conchas, por que só de sentir o tecido da roupa tocando na pele eu já queria chorar. Foi ai que o Victor me trouxe o bico de silicone, e na hora tudo ficou lindo de novo.

Meu peito rachou, e Juju passava o dia, e a noite toda, mamando. E eu não dormia. Achei que entraria na depressão pós parto, chorava sem motivo, vivia como um zumbi, passava as noites acordadas, acompanhando a programação da globo. Ela dormia na almofada de amamentação, e dia após dia eu fui criando a confiança que eu precisava pra deitar com ela e dormir. 3 horas seguidas, pelo menos. Aprendi a amamentar deitada, a fazer cama compartilhada, e de uma semana pra outra, minha vida mudou.

Mas um mês de vida e o bico ainda havia cicatrizado, e eu me sentia encrava daquela borracha. Mesmo passando leite materno e deixando secar, nada funcionava. Como ela estava crescendo, se desenvolvendo e engordando, tanto a pediatra quando o GO da emergência falaram que era melhor continuar com o silicone do que parar de amamentar. Segui o conselho deles, e não me arrependo.

Ao completar um mês, fomos passar o final de semana na casa de praia. Comecei a me sentir cansada, sem vontade de fazer nada, queria ficar só na cama. Eu, que nunca foi muito caseira, já tinha levado a Ju pro shopping, sai de casa pra ficar na cama? Comecei a ver que algo estava errado, mas não sabia o que. No domingo, teve churrasco, e novamente eu só queria ficar deitada. Foi quando a minha mãe viu um mancha vermelha no meu peito. Senti que, alem de vermelha, estava muito quente. Só então que eu percebi que eu estava com febre. Saímos direto pra emergência, eu morrendo de medo de não poder mais amamentar ela com aquele peito, sem saber o que fazer.

Quando o medico viu meu peito, disse que era uma mastite, me receitou antibiótico e anti-inflamatório, por uma semana. Ordenha, pra não deixar o peito encher, e de preferencia deixar ela mamar o tanto que ela quiser. Fiquei muito aliviada na hora. Nunca tinha ouvido falar em mastite, nem imaginei que amamentar podia ser tão difícil, tão cheio de peculiaridades, de dores, mas também aprendi que é um momento magico, lindo, uma conexão complexa, completa, linda.

Depois da mastite, comecei a me observar mais, a prestar mais atenção no que estava acontecendo com o meu corpo. Acordava normalmente com o peito empedrado, sem nem conseguir tocar, e ja corria pro banheiro pra ordenhar um, enquanto a Ju esvaziava o outro.

Seguimos assim por 4 meses e meio, até que eu voltei ao trabalho, e a nossa livre demanda teve que ser interrompida. Ordenhava leite no trabalho, em casa, de madrugada, de manha ou quando ela dava um tempinho. Conseguia tirar 40, 50 ml em cada ordenha, o que me deixava feliz.

No dia que Juju completou 5 meses ela, sozinha, puxou o silicone, e mamou direto no peito. Me emocionei toda, por saber que chegou a hora dela, e, sozinha, tirou aquele plastico entre nós. Sem forçar, sem precisar reensinar ela a mamar, nem nada. As ordenhas na bombinha ajudaram na formação do meu peito, e depois de 4 meses e 28 dias usando aquilo, agora eramos só nós duas.

E assim seguiu nossa amamentação de sucesso, por mais alguns meses, até que, com 7 meses e meio, ela me mordeu. Foi tão forte, uma dor tão doída, que eu gritei, ela chorou, eu chorei, e veio o medo dela desmamar pelo susto. Meu irmão desmamou assim, e a culpa veio junto com aquela dor horrível. No outro dia, na hora da ordenha, eu me distrai e quando fui olhar pro leite, estava rosa. E no lugar do leite branquinho, saía um sangue vermelho escuro. O susto foi grande, a dor também. Por uma semana eu mal conseguia amamentar com aquele peito. O coitado que já tinha passado por uma mastite, incontáveis empedramentos, uma rachadura que quase arrancou o bico fora, agora tava ali, mordidinho. E apesar de tudo, ele, o peito esquerdo, sempre foi o que produziu mais leite, meu guerreiro! Hoje ele produz nada mais nada menos que 125 ml por ordenha, enquanto o irmão magrelo fica nos 80, 90 ml :D

E hoje estamos aqui, comemorando esses 8 meses 3 semanas e 5 dias de leite materno exclusivo, sem nenhuma fórmula, nenhum outro leite. De tudo que eu fiz até hoje, com certeza o esforço da amamentação é o que me orgulha mais (repetitiva, eu sei). Saber que ela é toda linda e inteligente, saudável, através do meu leite é o que hoje ainda me acorda de madrugada, o que me faz chegar correndo em casa e já ir tirando a roupa no caminho, por que eu sei que o meu bezerrinho faminto me espera, cheia de saudade de mim, e dos petchos."

E que ano que vem, no SMAM 2014, estejamos de volta aqui, com mais um ano de histórias, sobre o ato mais lindo que uma mãe e um filho tem o prazer de ter.

Um comentário:

  1. Lindo relato!
    Amamentar é uma bênção!
    Beijão
    Lele
    www.eueleeascriancas.com.br

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